domingo, 18 de novembro de 2012

Contexto, pra quê te quero?

Postado por Camila Holanda 18.11.12


Quem nunca usou um versinho de música para dizer um “Eu te amo” de um jeito fofo e “original”? Quem não tem uma trilha sonora para o dia? Nem que seja no som do carro, no fone de ouvido ou no alto falante do celular dentro da 03? E (a melhor de todas) quem nunca postou um trecho no facebook para mandar aqueela indireta?
Nos anos de ditadura militar no Brasil, além dessas funções, a música também servia pra sambar na cara dos militares. Todo mundo já ouviu falar de Cálice (Cale-se?), do Chico Buarque. Mas podemos falar das flores também (Pra não dizer que não falei das flores). Essa produção musical tentava, mesmo que de forma tímida, fazer circular ideais de liberdade.
Mas, lembra da novela América? A música da abertura era Soy loco por ti América. Claro que com um nome desse era mais que apropriada para tal uso – só que não.
O trecho “que su nombre sea Martí” foi pronunciado por Ivete Sangalo de forma que a galera começasse a cantar “que su nombre sea amar-te”. E qual a diferença? José Martí, a quem a música original faz referência, foi o criador do Partido Revolucionário Cubano.  Apenas.
 Já Duas Caras utilizou “E vamos à luta”, do Gonzaguinha, usando a rapaziada “que segue em frente e segura o rojão” para se referir ao povo da Portelinha. Mas em 1980, a intenção do cantor era falar dos movimentos sociais que começavam a ressurgir, tendo como principal representante as Diretas Já.
A questão é que cada música tem seu contexto e quando se descontextualiza, as mensagens nelas inseridas passam despercebidas e perdem seu propósito.
Mas podemos, pelo menos, dar umas risadinhas.


Agora você começa a se perguntar qual a ligação do OiOiOi com a Ditadura...


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