Quem nunca usou um versinho de música para dizer um “Eu te amo” de um jeito
fofo e “original”? Quem não tem uma trilha sonora para o dia? Nem que seja no som
do carro, no fone de ouvido ou no alto falante do celular dentro da 03? E (a
melhor de todas) quem nunca postou um trecho no facebook para mandar aqueela
indireta?
Nos anos de ditadura militar no Brasil, além dessas funções, a música
também servia pra sambar na cara dos militares. Todo mundo já ouviu falar de
Cálice (Cale-se?), do Chico Buarque. Mas podemos falar das flores também (Pra não
dizer que não falei das flores). Essa produção musical tentava, mesmo que de forma tímida, fazer circular ideais
de liberdade.
Mas, lembra da novela América? A música da abertura era Soy loco por ti América.
Claro que com um nome desse era mais que apropriada para tal uso – só que não.
O trecho “que su nombre sea Martí” foi pronunciado por Ivete Sangalo de
forma que a galera começasse a cantar “que su nombre sea amar-te”. E qual a
diferença? José Martí, a quem a música original faz referência, foi o criador
do Partido Revolucionário Cubano. Apenas.
Já Duas Caras utilizou “E vamos à
luta”, do Gonzaguinha, usando a rapaziada “que segue em frente e segura o rojão”
para se referir ao povo da Portelinha. Mas em 1980, a intenção do cantor era falar
dos movimentos sociais que começavam a ressurgir, tendo como principal
representante as Diretas Já.
A questão é que cada música tem seu contexto e quando se
descontextualiza, as mensagens nelas inseridas passam despercebidas e perdem
seu propósito.
Mas podemos, pelo menos, dar umas risadinhas.
Agora você começa a se perguntar qual a ligação do OiOiOi com a Ditadura...

