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segunda-feira, 4 de agosto de 2014


É apresentando uma releitura mais delicada da utilização do couro que Diego Panassol faz a criação de suas peças. Entrevistado no Curso de Jornalismo de Moda na Web, o artista nos transmitiu a essência do seu trabalho autodidata de quase três anos e sua aposta na exclusividade de cada peça através de uma experiência única com cada cliente.


Diego se formou em Marketing e estagia no espaço cultural da UNIFOR, foi unindo estas duas áreas de conhecimento que retirou referências para o processo criativo de seu trabalho. Tudo começou após o convite de uma amiga para iniciar a produção de sapatos de couro, se capacitou através de tutoriais no YouTube, aprendendo desde criar os moldes até fazer suas próprias ferramentas. Hoje, após o fim da parceria, Diego continua o seu trabalho sem nenhuma equipe:
" Primeiro que não confio em outras pessoas para fazer isso, porque dou o meu sangue para isso [...]. (Além da falta de) pessoas capacitadas, tenho alguns amigos da moda, mas eu não sinto que exista um preparo, uma vocação, eles fazem moda, mas eu não fiz moda e aprendi a fazer isso com a força de vontade. E eu gosto desse prazer manual, de [...] construir um mundo em cima de uma fôrma, de um sapato. "
Dois fatores são peculiares em seu trabalho, o primeiro é a releitura do couro como material e a unicidade de suas peças. A escolha do couro para trabalhar vem de um gosto pessoal, além da resistência do material, da facilidade do corte e da colagem. Diego afirma que procura contrariar a caracterização do couro como algo pesado e rústico já tradicionalmente implantado em certas peças: "parece que se está em uma romaria", assim investe no conceito de "regionalismo contemporâneo".

                     Par criado para Naiana Rodrigues                                                                        Par criado para Gabriela Dourado

Já quando indagado quanto a sua unicidade, o artista responde com uma pergunta: "Vocês se sentem bem se sentindo parte de uma produção em série?". A principal especificidade de seu trabalho é a de não haver nenhuma outra peça igual àquela que ele criou, "independente de outra pessoa ver aquele trabalho e queira copiar, não vai ser o mesmo". Diego defende a essência de cada peça sua, esta trabalhada através de uma experiência com o cliente em que se observa suas referências e sua personalidade construindo uma história daquele sapato ou bolsa. Seu marketing é feito em cima de si mesmo, ao usar alguma peça sua muitas pessoas o pedem para fazer algo para elas também, isto porque não concorda com a massificação de seu trabalho que poderia acarretar na perda de sua identidade. Assim, pode-se perceber a paixão de Diego pela suas peças, algo louvável quando se trata de um mundo em que tudo é produzido em série preocupando-se apenas com o lucro e esquecendo a identidade de cada produto.

Contatos:
(85) 98127143 


Fotos: Aline Medeiros
Quem nunca se deparou com alguém que usava uma roupa ou um acessório igual ao seu?! Indo contra a maré da moda massificada, o jovem artista Diego Panassol sugere uma nova experiência em compra e produção de sapatos e bolsas, há 3 anos, em Fortaleza. As criações de Panassol são o resultado da interação entre a sua essência criativa e as referências dos clientes.  Suas peças são todas exclusivas e únicas.

"É um problema danado porque todas as peças que eu faço dá vontade de ficar".
O artista começou sua jornada pela moda serigrafando camisetas, mas foram primeiramente os sapatos que lhe apaixonaram. Já as bolsas foi uma descoberta casual, Panassol começou produzindo-as para uso próprio, mas por conta dos pedidos passou a incluí-las em sua vitrine.

Todo o seu aprendizado foi autodidata, utilizando-se da Internet, principalmente do site de vídeos YouTube, e de conversas com os artesãos locais. Panassol também fabricou as próprias ferramentas, usando o que tinha em casa.

As peças do designer são feitas exclusivamente de couro, o que segundo ele, sempre gostou desse material. Porém, Panassol procura dar uma cara nova e contemporânea à rusticidade e ao regionalismo do artefato, se utilizando de cortes ousados, geometria, texturas e cores.

O processo criativo de Panassol  envolve uma espécie de ritual intimista, no qual o artista ao som de Elis Regina ou bossa nova, e mais recentemente do Rock Alternativo dança em seu ateliê para se inspirar. 
“Boto uma música no fundo e se nada sair na forma, boto tudo para o lado e eu começo a dançar, pra ver se libera. É realmente esperar alguma coisa que vem”, explica. 

As peças são produzidas em no mínimo dois dias e possuem um preço acessível, a partir de 179 reais.

Contatos de Diego Panassol:

(85) 98127143

Fotos: Aline Medeiros, Instagram Diego Panassol